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01/12/13

CONTRAPONTO

Mário Martins

 

Personagens:
Dr. Medina Carreira (MC) – Programa televisivo “Olhos nos olhos”
SEDES (S) (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social)
Dr. Silva Lopes (SL) – Programa televisivo “Olhos nos olhos” 4Nov2013
Dr. Álvaro Santos Pereira (ASP) (ex-ministro da Economia do actual Governo)

(MC) O Estado está falido!

(S) A ideia de que o Estado está falido e, como tal, tudo é aceitável é, e tem sido, um erro grave: o acordo com a troika fez-se exactamente para evitar essa falência.

(MC) Ninguém está disposto a investir em Portugal com a burocracia reinante, a contínua alteração dos impostos e uma justiça ineficaz.

(S) A recuperação do investimento passa antes de mais por políticas estáveis e previsíveis. O problema não é, neste momento, a falta de financiamento ou de incentivos, mas de credibilidade e estabilidade política e das políticas.

(MC) Não há dinheiro nem economia para sustentar o actual nível das pensões.

(S) A Troika e o FMI não ajudaram nem perceberam que o descrédito no sistema de pensões e reformas tem consequências enormes para o desempenho da economia já hoje; causa mal estar generalizado em novos e velhos com consequências políticas e sociais muito gravosas, embora difíceis de avaliar em toda a sua extensão. A SEDES não nega a necessidade da reforma com vista à sustentabilidade do sistema, nega justamente a não existência de uma reforma mas de um conjunto avulso de medidas, circunstancial e ditado pela conjuntura, que mina um pilar fundamental da vida social – a confiança – agravando a insegurança.

(SL) Não há dinheiro! As pensões grandes devem sofrer mais cortes; devem descer para 2.000 euros líquidos; mas as pensões médias, que são o grosso da despesa, também têm que diminuir.

(MC) Os jovens vão ter na sua reforma uma pensão pouco mais que simbólica.

(S) A ideia de que a geração em idade contributiva não terá pensões gera uma revolta contra o facto de se pagar hoje para nada se receber amanhã. Alimentá-la encoraja todo o tipo de fugas à contribuição, agravando o exacto problema que visava resolver.

(S) É urgente reformar o estado, reformar o sistema político, reformar a forma de fazer política, de gizar, conceber, apresentar e executar as políticas públicas. É fundamental acabar de vez com a incerteza desnecessária que mina a confiança dos cidadãos em si mesmos, na economia e em quem os representa e por si decide. É vital reformar o sistema político e melhorar a democracia.

(ASP) Se não tivermos uma solução europeia, arriscamo-nos a ter novamente ditaduras na Europa. O caminho da austeridade cega vai exaltar os extremismos europeus. Toda a gente na Europa se preocupa com tesouraria. A Europa só tem ministro das Finanças, só tem Ecofin [ministros das Finanças da União Europeia] e Eurogrupo [ministros das Finanças da zona euro] e, quando só há ministro das Finanças, mais cedo ou mais tarde não vai funcionar (Jornal Sol 31Out2013).

 

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