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01/10/15

PROVIDÊNCIA

António Mesquita







"Hoje, porém, já ninguém quererá afirmar que a qualidade da vida social colectiva melhora necessariamente com a crescente complexidade dos sistemas sociais."

Jürgen Habermas

Na origem desta concepção está, claro, a própria ideia do progresso. "O iluminismo traz inerente a si a irreversibilidade de processos de aprendizagem fundamentada no facto de que as formas de compreensão não podem ser esquecidas a belprazer, mas sim e apenas reprimidas ou corrigidas por outras melhores." (idem) O século XX, bastou para nos lembrar, porém, que podemos sempre voltar à barbárie. Nada está garantido, nem nada se aprende para sempre.

Ao mesmo tempo, aparece-nos a própria complexidade dos sistemas como implicando em si um 'progresso'. Ora, só pudemos crescer até aos números da actualidade desenvolvendo sistemas de organização cada vez mais complexos. Não é possível, porém, comparar a qualidade da vida social pelo tamanho do formigueiro humano ou pela velocidade da comunicação.

A ideia hegeliano-marxista de alienação é um avatar da clássica separação do corpo e do espírito no indivíduo, transformada no messianismo de uma classe produtora dominada pelas próprias condições do seu trabalho. Mas como, cada vez mais, se deve referir a dominação social à complexidade (que pode conservar os antagonismos de uma forma impenetrável, e até 'inobjectável' para a antiga argumentária), quase que poderíamos dizer que estamos perto de criar uma nova Providência e a viver as condições presentes num estado nunca visto de despolitização.


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